O El Niño segue ganhando força e coloca o clima novamente entre os pontos de atenção para o planejamento da safra 2026/27.
Segundo a atualização mais recente da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), há mais de 90% de chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte, período que corresponde à primavera e ao verão no Hemisfério Sul.
Para o trimestre de outubro a dezembro de 2026, a NOAA aponta ainda 75% de chance de o evento atingir um patamar histórico pelo critério utilizado pelo órgão, superando a intensidade registrada em eventos anteriores desde 1950.
Mas, para o produtor brasileiro, tão importante quanto acompanhar a intensidade do fenômeno é entender que seus impactos não acontecem da mesma forma em todo o país.
Diferentes regiões, diferentes cenários
O prognóstico do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) para outubro ajuda a mostrar essas diferenças.
A previsão indica chuvas acima da média histórica em áreas da Região Sul, Mato Grosso do Sul, São Paulo e sudeste de Minas Gerais. Em contrapartida, volumes abaixo da média são esperados em partes das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
As temperaturas também merecem atenção. O INMET prevê valores acima da média em grande parte do Brasil, com os maiores desvios esperados no Centro-Oeste e Sudeste.
Isso reforça um ponto importante: falar em El Niño não significa falar em um único cenário para a agricultura brasileira.
O que muda no planejamento da lavoura?
O produtor não controla quando, quanto ou onde vai chover. Mas pode considerar o cenário climático dentro das decisões que estão ao seu alcance.
E uma dessas decisões passa por conhecer melhor as condições da própria área.
Quando a distribuição das chuvas muda ao longo do ciclo, a capacidade das raízes de explorarem diferentes camadas do solo ganha ainda mais relevância. Um sistema radicular capaz de ocupar maior volume de solo amplia as possibilidades de acesso à água e aos nutrientes disponíveis no perfil.
Por isso, olhar apenas para a superfície pode não ser suficiente.
Entender se existem limitações físicas ou químicas em profundidade e considerar essas informações no planejamento permite direcionar melhor as estratégias de manejo.
Clima e solo precisam fazer parte da mesma conversa
A previsão climática não elimina as incertezas de uma safra e não deve ser interpretada isoladamente.
Ela é mais uma informação dentro de um conjunto que envolve características da área, cultura, histórico, condições do solo e decisões de manejo.
Diante de um El Niño que pode alcançar forte intensidade na safra 2026/27, acompanhar as atualizações climáticas e conhecer melhor o ambiente em que as raízes irão se desenvolver são caminhos para tomar decisões mais bem fundamentadas.
O clima você não controla. O preparo do solo, sim.
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